sábado, 23 de agosto de 2014

Impact Earth

Programa de computador na Web que simula impactos meteoríticos e seus 

efeitos ambientais naTerra...


O site pode ser acessado pelo link (http://www.purdue.edu/impactearth/).

Escrito por Gareth Collins, H. Jay Melosh and Robert Marcus, pesquisadores referencia na área de impacto de meteoritos e desenvolvido pela ITaP for Purdue University. O site Impact Earth conta com um programa que permite manipularmos parâmetros como o tamanho do bólido, velocidade, angulo, entre outros, e a partir desses parâmetros ele calcula quais seriam as consequências ambientais de um impacto meteorítico na Terra.


No site os autores também disponibilizam o pdf do artigo publicado na Meteoritics & Planetary Science, de titulo "Earth Impact Effects Program: A Web-based computer program for calculating the regional environmental consequences of a meteoroid impact on Earth", e nos apresentam os cálculos utilizados no desenvolvimento do programa, além de elucidar como seriam os efeitos causados pelo impacto.

Para começar a brincadeira de bombardear o nosso tão querido planeta Terra, vale consultar a lista que eles disponibilizam com algumas crateras terrestres famosas e ver o que acontece se viermos a presenciar um evento desse tipo em nossa efêmera existência terrestre.



Purdue University, West Lafayette, IN 47907 USA, (765) 494-4600

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Parque Estadual Vila Velha, Paraná.



Geleiras, dessa vez no interior do Paraná? as rochas estão loucas...  (continuação)


Continuando com nossa série parques nacionais, falaremos um pouquinho do Parque Estadual de Vila Velha localizado no centro-oeste do Estado do Paraná, pertencente ao município de Ponta Grossa  - PR (ver informações turísticas no site da prefeitura de Ponta Grossa).

Ano de Copa do Mundo no Brasil em que a Alemanha emplacou 7x1 contra nossa querida seleção, levando para terras geladas nosso sonho do hexa, podemos nos consolar com as inusitadas formas esculpidas nos arenitos de Vila Velha, em que a caprichosa mãe natureza nos presenteou com uma enorme taça, como se elas quisesse nos dizer que não somos hexa, mas podemos ver grandes....rs.





A Taça é nossa! (Arenito Vila Velha - PR).


O parque foi tombado em 1966 como Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Paraná e recentemente passou por uma revitalização que levou cerca de 2 anos. As trilhas são leves e bem sinalizadas e o parque conta com a presença de guias próprios que acompanham os grupos e dão explicações e informações refentes a fauna, flora, a geologia, além de contar curiosidades do parque.  

A formação desses arenitos, denominados de Arenito Vila Velha, assim como os parque paulistas já mencionados neste blog, remontam a condições climáticas bem diferentes das que encontramos hoje  nestas regiões. Estes arenitos, e outras evidências no entorno, corroboram como evidencias deixadas pela glaciação permo-carbonífera, ocorrida há cerca de 300 milhões de anos, quando os territórios hoje pertencentes aos continentes, da América do Sul, África, Antártida, Índia e Austrália formavam o supercontimente Gondwana, e este encontrava-se próximo ao Polo Sul. Assim, a história contada pelas rochas presente no parque do Varvito e Moutonnée são correlatas a contada por esses arenitos. 

As famosas esculturas naturais, o aspecto em forma de ruínas e a ocorrência de furnas atrai grupos de estudantes, pesquisadores, curiosos e amantes da natureza dos mais diferentes locais do país. Essas formas começaram a serem esculpidas muito tempo depois da formação da rocha (milhões de anos se passaram até que esse arenito tenha sido exposto as condições climáticas na superfície do nosso planeta por processos tectônicos). Estudiosos e pesquisadores acreditam que as forças erosionais atuantes sobre o arenito tenham se iniciado recentemente, no período Quaternário, a cerca de 1,8 milhões de anos, sob condições climáticas semelhantes as verificada hoje na região. 


Aspecto ruiniforme do Arenito Vila Velha, e cones de dissolução.


A ação erosional de águas pluviais se beneficia de descontinuidades e zonas de fraqueza da rocha esculpindo formas e monumentos, que podem evoluir para as furnas, que nada mais são do que poços de desabamento, onde há interação entre zonas de fragilidade da rocha e a circulação de águas superficiais, muitas vezes acidificada devido a presença de matéria orgânica. 

As furnas são encontradas no arenito esbranquiçado pertencente à Formação Furnas, unidade geológica depositada abaixo do Arenito vermelho Vila Velha. Estas são caracterizadas por crateras de formato circular, de diferentes diâmetros que na sua maioria, com exceção da furnas 3 (são conhecidas 14 na região, 6 delas ocorrem dentro do perímetro do parque), estão interconectadas pelo atual nível de água subterrânea (próximo a 780 metros). Dentre as 6 furnas, 2 delas estão em estágio final, ou seja, formaram as lagoas Dourada e Tarumã, ambas quase que totalmente entulhadas por sedimentos.  















Poço - Furnas 2

A medida que vamos adquirindo conhecimento que nos permitam remontar condições paleoambientais e as localizar no tempo, podemos construir nossa "concha de retalhos", ligando diferentes regiões geográficas a mesma dinâmica e contexto geológico, em um dado período da grande história geológica da Terra. 



Dicas de consulta na web:


Informações Gerais:

Site prefeitura de Ponta Grossa, http://www.pontagrossa.pr.gov.br/parque-estadual-vila-velha.

http://www.matraqueando.com.br/parque-estadual-de-vila-velha-parana-sitio-geologico-de-300-milhoes-de-anos-esta-a-uma-hora-de-curitiba


Contexto Geológico do Parque Estadual de Vila Velha:

http://www.mineropar.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=14

http://www.sbe.com.br/ptpc/ptpc_v2_n1_005-015.pdf

http://rbg.sbgeo.org.br/index.php/rbg/article/viewFile/A-1445/832

domingo, 20 de abril de 2014

Parques Naturais da Rocha Moutonnée em Salto e do Varvito em Itu, São Paulo.



Paisagens comuns da Groenlândia no interior de São Paulo? Geleiras no Brasil? as rochas estão loucas...


Ficou um pouco difícil ir até a Groenlândia ou a Antártida para fotografar imagens lindíssimas de ambientes glaciais atuais para que pudesse compartilhar com vocês. Uma vez que moro entre os trópicos no hemisfério Sul da Terra - e essa não é definitivamente uma viajem trivial e corriqueira para a maioria das pessoas. Para aqueles que como eu ainda não tiveram a oportunidade de viajar para um lugar assim, no google earth (programa para computadores gratuito desenvolvido pela estadounidense Google Inc. que permite conhecermos lugares incríveis sem sair de casa) podemos ter uma ideia das condições existentes por "aqui" quando da formação das rochas do varvito de Itu e da moutonné de Salto, se acessarmos a costa oeste da Groenlândia - e visualizar as imagens por toda a Baía de Baffin. A vontade que dá é de conhecer Melville Bugt, apesar de ser bem friozinho por lá.  

Os Parques Naturais da Rocha Moutonnée em Salto e o parque do Varvito em Itu foram reconhecidos pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico e Artístico do Estado de São Paulo) como monumento geológico na década de 90, e hoje são mantidos abertos à visitação pública. Ambos os parques estão localizados nos centros históricos dos municípios de Salto (Parque da Rocha Moutonnée) e no de Itu (Parque do Varvito)  e contam com infraestrutura adequada que possibilita o acesso não apenas de grupos de estudantes e pesquisadores brasileiros e do exterior em excursões geológicas, como da população local e visitantes de outras partes do país e estes se firmam como importantes locais no cenário turístico ecológico do Estado de São Paulo.

As rochas encontradas nestes parques são especiais por apresentarem evidência da presença de Geleiras em locais que hoje encontram-se em regiões de clima quente, como por exemplo a porção sudeste da então America do Sul, mais especificamente - os pacatos municípios de Salto e Itu no interior do Estado de São Paulo, Brasil. As geleiras estiveram por "aqui" quando essas terras faziam parte do um supercontinente chamado de Gondwana. Neste supercontinente há 290 milhões de anos (Ma) as placas da America do Sul, África, Austrália, Índia e Antártida estavam unidas e compunham um mega continente localizado próximo ao Pólo Sul da Terra, em zonas de altas latitudes, muito-mais há muitooo... tempo antes do surgimento dos primeiros hominídeos (falaremos de tempo em uma próxima oportunidade). E desse modo são as rochas as principais responsáveis por nos contar o que aconteceu nestes locais a muito tempo antes de nós, nos dando pistas dos seus antigos moradores e de como eles viviam e, de como seria um mundo que mesmo apresentando semelhanças com o atual pode ser muito diferente e totalmente surpreendente.  

Parque Natural da Rocha Moutonnée em Salto


A rocha Moutonnée é um granito róseo com marcas deixadas pela abrasão quando da passagem de geleiras sobre a rocha, cuja abrasão típica remete ao formato arrendondado e assimétrico semelhante ao formato de um carneiro deitado (moutonnée - derivada de "mouton", palavra francesa que significa carneiro). No parque hoje apenas uma parte dessa rocha está preservada, uma grande parte dela foi retirada nos anos de lavra. Além do granito róseo (corpo maior), ocorrem pequenas exposições de tilitos sobrepondo o granito, de coloração cinza-esbranquiçada com aspecto heterogêneo dado os diferentes materiais que compõem essas rochas deixadas quando do avanço e recuo da geleira em depressões existentes no granito estriado. 


A rocha moutonnée de Salto é um ótimo exemplar do poderio de abrasão das geleiras associada a glaciação neopaleozóica na bacia do Paraná, cujo granito foi o pavimento em que deslisavam as geleiras e cujo degelo em Itu formou o Varvito. A partir das marcas de abrasão deixadas no granito é possível identificar a direção e o sentido da geleira e reconstuir as condições paleoambientais. 


Parque Natural do Varvito em Itu


Clássica exposição do Varvito de Itu. Varvito é o nome dado a essa rocha sedimentar formada pela sucessão de camadas de sedimento claros e escuros que se sobrepõem formando um ritmito glacial. Esta exposição formou-se na Bacia Sedimentar do Paraná, Subgrupo Itararé (Permo-Carbonífero) quando esta pertencia ao supercontinente Gondwana há cerca de 300 Milhões de anos quando da ocorrência da glaciação neopaleozóica no Brasil.


Os camadas claras-escuras de sedimentos finos se alternam regularmente e formam um paredão rochoso que registra as condições paleoambientais da época. Além da alternância de cor entre os estratos, ocorrem variações litológicas que nos remente a ambiente sedimentar de lago (proglacial - lagos formados de degelo de geleiras proximais) cujas condições sazonais (inverno-verão) seriam os principais responsáveis pela alernância entre as camadas.


Entre os estratos regularmente depositados, podemos verificar a ocorrência de notáveis porém raros clastos (pedregulhos) de diferentes formatos e tamanhos ocorrendo de modo dispersos entre as camadas. Estes clastos, também conhecidos popularmente como seixo pingado, teriam ido parar entre esses estratos pelo derretimento de icebergs que flutuavam nas águas do lago e carregavam consigo estes seixos.   


Outras estruturas interessantes são as marcas deixadas pelos organismos que viviam no fundo desse lago glacial, conhecidos como icnofósseis. Estas marcas foram deixadas na superfície e se preservaram dentro do registro geológico como o registro de organismos invertebrados aquáticos bentônicos.   


Por fim, a visita desses dois sítios geológicos são complementares e nos ajudam a entender o avanço das geleiras na região, e de quão diferentes podem ser as condições paleoambientais de um mesmo local dentro da grande história geológica da Terra.    


Dicas de Leituras

ALMEIDA, F.F.M. de; CARNEIRO, C.D.R. 1995. Geleiras no Brasil e os parques naturais de Salto e Itu. Ciência Hoje, v. 19, n. 112, p. 24-31.

CARNEIRO, C.D.R.; ALMEIDA, F.F.M. de. 1997. Um passado bem geladinho. Ciência Hoje das Crianças, n. 78, p. 4-8.


Leituras na web


http://sigep.cprm.gov.br/sitio021/sitio021.pdf

http://sigep.cprm.gov.br/sitio062/sitio062.pdf


quarta-feira, 9 de abril de 2014

geomovies da net - Geology Kitchen

Para aqueles que não tem problemas com a língua inglesa, fica aqui a dica - as aulas do Devin Dennie  - Geology Kitchen, encontradas no youtube são uma boa pedida...
Devin Dennie usa itens e produtos comumente encontrados em qualquer cozinha, para dar suas aulas sobre os mais diversos assuntos, como: What is a mineral? Igneous rocks, Volcanoes, Plate Tectonics entre outros...
Os vídeos são divertidos. Mas atenção! assisti-los com fome pode aumentar o apetite, rs...
https://www.youtube.com/results?search_query=geology+and+kitchen

sexta-feira, 4 de abril de 2014

welcome to our world


Há muito já dizia o poeta itabirense Carlos Drummond de Andrade o quão inesquecível pode ser encontrar uma pedra no meio do caminho. Com um caráter mais técnico-didático do que poético, este blog foi pensado como um espaço destinado aos diferentes tipos de rochas e ao que estas tem a nos dizer sobre nosso planeta, a vida nele ou sobre nós mesmos.   


Enjoy the travel.